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2019-10-05

Outubro - mês das Biblibotecas Escolares

 
Encontramo-nos no início de um novo ano letivo, no mês de outubro, internacionalmente celebrado
como o mês das bibliotecas escolares. Esta comemoração constitui uma oportunidade para relembrar a biblioteca e o seu papel no contexto da escola atual.

Nos últimos anos, têm-se multiplicado os desafios lançados às escolas: surgiu um perfil do aluno que exige o desenvolvimento de competências adaptadas à sociedade atual, evidencia-se a necessidade de entender todos os alunos como indivíduos com singularidades que obrigam a práticas integradoras e capazes de responder à diferença, define-se uma estratégia nacional de educação para a cidadania…

Assim, é imperativo encontrar novas formas de fazer, dentro e fora da sala de aula. As escolas são convocadas a adotar soluções criativas, a fomentar e a implementar parcerias, a gerir os currículos, adequando-os aos diferentes contextos.

Para dar resposta a estes desafios, a escola tem na biblioteca escolar e no professor bibliotecário parceiros naturais, quer através do apoio ao desenvolvimento de uma aprendizagem informal e autónoma, quer através do seu trabalho em estreita articulação com os docentes, potenciador de uma ação pedagógica consistente e inovadora.

A Rede de Bibliotecas Escolares coloca à disposição das escolas e das bibliotecas vários instrumentos, designadamente um documento de apoio às suas práticas, Aprender com a biblioteca escolar, e o sítio Cidadania e biblioteca escolar: pensar e intervir, entre outros, bem como um conjunto alargado de projetos que convocam para diversos modos de aprender.

Lembramos ainda que a RBE dispõe de uma estrutura de proximidade, a coordenação interconcelhia, a qual se encontra permanentemente disponível para apoiar o trabalho das escolas no que à biblioteca escolar diz respeito.

Assim, neste arranque de um mês tão simbólico para as bibliotecas, venho desejar os maiores sucessos ao longo deste ano letivo e colocar a Rede de Bibliotecas Escolares à vossa disposição.
 

2016-04-21

João Amaral, autor e ilustrador de banda desenhada, na escola sede





O autor e ilustrador de banda desenhada, João Amaral, esteve connosco no dia 4 de fevereiro, para apresentar uma das suas mais recentes obras, A Viagem do Elefante. Trata-se de uma adaptação para BD do romance de José Saramago, com o mesmo nome e prefaciada por Pilar del Rio. A palestra foi seguida de uma sessão de autógrafos: João Amaral recriou, ao vivo, o elefante Salomão e a todos desejou “uma boa Viagem”.
Segue-se a entrevista que João Amaral concedeu a Rúben Pinto, nosso aluno do 7.º B, e membro do Clube de BD/Manga da BE.


R.: – “Que livros de BD lia, quando tinha a nossa idade?”
J.A: - Eu gostava muito dos autores franceses, como Rob Vel (Robert Velter, criador da famosa personagem Spirou) e do belga André Franquin (autor de outra personagem muito conhecida, o Marsupilami).


R.: - E já escrevia e desenhava, nessa época?
J.A.: - Sim, mas francamente, não gosto desses desenhos quando os revejo, estão muito imperfeitos. Mas sempre quis ser ilustrador de banda desenhada. A minha formação académica é em Marketing, mas prefiro a arte. A minha máquina fotográfica é um caderno, nele desenho o que penso e o que vejo.
 

R.: Por que razão quis desenhar “ A Viagem do Elefante”?
J.A. : - É um livro que significa muito para mim. Foi a minha mulher, que é uma leitora compulsiva, que me aconselhou a lê-lo e comecei logo a visualizar as imagens na  minha cabeça! Relata, como sabem, a viagem de um elefante indiano, Salomão, que foi oferecido  pelo rei português, D. João III, ao seu primo arquiduque Maximiliano da Áustria, de Lisboa a Valladolid e depois a Viena. Eu procurei conhecer pessoalmente esse primeiro trajeto para melhor retratar a paisagem.
Trata-se, no fundo de uma parábola sobre a própria vida, que é uma viagem, nascemos para caminhar, caminhar e depois a caminhada acaba, morremos. Fazemos um percurso, um caminho contínuo de aprendizagem, como o Cornaca, mas que, um dia, acaba.
Foi um trabalho difícil, pois quis ser fiel ao texto de José Saramago, ao espírito da obra. Demorou cerca de dois anos e meio, a trabalhar oito horas por dia… Criei cerca de 120 pranchas, foi preciso passá-las a tinta, fazer as legendas, colorir as pranchas no computador (é mais higiénico e a minha mulher aprova!) …Resolver situações que foram aparecendo, a banda desenhada é uma arte sequencial... A cor vai mudando ao longo do livro, primeiro, em  Portugal é azulada, em Espanha predominam tons mais quentes, em Itália é mais esverdeada e nos Alpes o branco domina tudo…

No livro original, José Saramago não aparece de nenhuma forma, no meu livro José Saramago aparece também como a personagem que narra a viagem. Foi uma forma de aproximar o criador da criação e fazer sobressair a fina ironia de Saramago.

(Rúben Pinto e Eunice Pinho
Clube BD/Manga da BE )